Principais
teorias Piagetiana
Justificando:
A importância de se
definir os períodos ou estágios de desenvolvimento da inteligência reside no fato
de que, em cada um, o indivíduo adquire novos conhecimentos ou estratégias de
sobrevivência, de compreensão e interpretação da realidade. A compreensão deste
processo é fundamental para que os professores possam também compreender com
quem estão trabalhando. A obra de Jean Piaget não oferece aos educadores uma
didática específica sobre como desenvolver a inteligência do aluno ou da
criança. Piaget nos mostra que cada fase de desenvolvimento apresenta características
e possibilidades de crescimento da maturação ou de aquisições. O conhecimento
destas possibilidades faz com que os professores possam oferecer estímulos
adequados a um maior desenvolvimento do indivíduo.
Através da minuciosa
observação dos seus filhos e principalmente de outras crianças, Piaget
impulsionou a sua Teoria Cognitiva, onde propõe a existência de quatro estágios
de desenvolvimento cognitivo no ser humano: o estágio sensório-motor,
pré-operacional ou pré-operatório (simbólico e intuitivo), operatório concreto
e operatório formal. Piaget influenciou a educação de maneira profunda. Para
ele as crianças só podiam aprender o que estavam preparadas a assimilar. Aos
professores, cabia aperfeiçoar o processo de descoberta dos alunos. Seguindo a
Piaget há que adaptar a Didática e os métodos de ensino nas aulas às diferentes
peculiaridades dos estágios antes citados. Tendo sempre presente, tal como
sinala na sua obra.
O Nascimento da
Inteligência na Criança, que "as
relações entre o sujeito e o seu meio consistem numa interação radical, de modo
tal que a consciência não começa pelo conhecimento dos objetos nem pelo da
atividade do sujeito, mas por um estado diferenciado; e é desse estado que deriva
dos movimentos complementares, um de incorporação das cousas ao sujeito, o
outro de acomodação às próprias cousas”.
Piaget define três conceitos fundamentais para
a sua teoria: interação, assimilação e acomodação, três fases sucessivas pelas
que o sujeito passa ao adquirir novos conhecimentos.
O desenvolvimento do
indivíduo inicia-se no período intrauterino e vai até aos 15 ou 16 anos. Piaget
diz que a embriologia humana evolui também após o nascimento, criando
estruturas cada vez mais complexas. A construção da inteligência dá-se,
portanto em etapas sucessivas, com complexidades crescentes, encadeadas umas às
outras.
A.
Período ou Estágio Sensório-Motor: Do nascimento aos dois
anos, aproximadamente.
A ausência da função
semiótica é a principais características deste período. A inteligência trabalha
através das percepções (simbólico) e das ações (motor) através dos
deslocamentos do próprio corpo. É uma inteligência iminentemente prática. A sua
linguagem vai da ecolalia (repetição de sílabas) à palavra-frase ("água" para
dizer que quer beber água) já que não representa mentalmente o objeto e as ações.
A sua conduta social, neste período, é de isolamento e indiferenciação (o mundo
é ele).
B.
Período ou Estágio Pré-Operatório: a)
Subperíodo Simbólico: Dos dois anos aos quatro anos, aproximadamente. Nesta
primeira etapa surge a função semiótica que permite o surgimento da linguagem,
do desenho, da imitação, da dramatização, etc.. Podendo criar imagens mentais
na ausência do objeto ou da ação é o momento da fantasia, do faz de conta, do
jogo simbólico. Com a capacidade de formar imagens mentais pode transformar o
objeto numa satisfação do seu prazer (uma caixa de fósforos em carrinho, por
exemplo). É também o momento em que o indivíduo “dá alma” (animismo) aos
objetos ("o carro do papai foi 'dormir' na garagem"). A linguagem
está em nível de monólogo coletivo, ou seja, todos falam ao mesmo tempo sem que
respondam as argumentações dos outros. Duas crianças “conversando” dizem frases
que não têm relação com a frase que o outro está dizendo. A sua socialização é
vivida de forma isolada, mas dentro do coletivo. Não há liderança e os pares
são constantemente trocados. Existem outras características do pensamento
simbólico que não estão sendo mencionadas aqui, uma vez que a proposta é de
sintetizar as ideias de Jean Piaget, como por exemplo o nominalismo (dar nomes
às cousas das quais não sabe o nome ainda), superdeterminação (“teimosia”),
egocentrismo (tudo é “meu”), etc.
b) Subperíodo Intuitivo:
Dos quatro anos aos sete anos, aproximadamente.
Nesta segunda etapa já
existe um desejo de explicação dos fenômenos. É a “idade dos porquês”, pois o
indivíduo pergunta o tempo todo. Distingue a fantasia do real, podendo
dramatizar a fantasia sem que acredite nela. O seu pensamento continua centrado
no seu próprio ponto de vista. Já é capaz de organizar coleções e conjuntos sem,
no entanto incluir conjuntos menores em conjuntos maiores (rosas no conjunto de
flores, por exemplo). Quanto à linguagem não mantém uma conversação longa, mas
já é capaz de adaptar a sua resposta às palavras do companheiro.